“O PRINCIPAL PATRIMÓNIO SÃO AS PESSOAS”

Manuel de Pina, Presidente da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago. Foto: Liberal
Manuel de Pina, Presidente da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago. Foto: http://liberal.sapo.cv

Em linguagem simples e mensagens muito terra-a-terra, o presidente da CM da Ribeira Grande de Santiago, Monteiro de Pina, foi a Coimbra dizer a uma centena de estudantes ribeira-grandenses em Portugal que o seu Município conta com eles para o processo de desenvolvimento: que todos são necessários e que na Cidade Velha não há discriminações. Recusando enveredar por críticas ao Governo, ao IIPC e à Comissão Instaladora do Município, o autarca deixou claro que “está tudo por fazer”. Ficou também claro que a Câmara não deixará cair a bandeira da luta pelo reconhecimento do estatuto de Património da Humanidade, mas que o principal património da Ribeira Grande de Santiago são as suas gentes.


(Lisboa, 10.03.09) – “A grande riqueza da Ribeira Grande de Santiago está no abandono a que esteve sujeito ao longo dos anos”: foi assim que Manuel Monteiro de Pina se dirigiu a quase uma centena de estudantes cabo-verdianos em Portugal e oriundos da Ribeira Grande/Santiago que este fim de semana se reuniram em Coimbra para um Encontro de Estudantes da Ribeira Grande de Santiago em Portugal. A reunião, que decorreu no Centro de Cultura Municipal, foi organizada pela Associação de Estudantes Cabo-Verdianos em Coimbra e contou com o apoio da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago: os jovens quiseram a participação de Manuel Monteiro de Pina, convidado a ir falar sobre as Estratégias para o Desenvolvimento do Município. Foi isso que trouxe o autarca a Portugal, aproveitando ele esta deslocação para dar ênfase à candidatura de Cidade Velha a Património da Humanidade, construir lobbing e procurar apoios para a concretização do seu projecto.

A centena de jovens ribeira-grandenses que convergiu para a Lusa Atenas, contou com o apoio de autarquias amigas da Cidade Velha, que disponibilizaram transportes: a Câmara Municipal de Évora colocou à disposição um autocarro que, partindo da cidade de Diana, passou por Lisboa; a de Guimarães um segundo autocarro que recolheu jovens a estudar em Braga e Porto. Ou seja, para esta mobilização funcionou o já amplo relacionamento da Câmara presidida por Manuel de Pina, que tem diversificado relações externas e ampliado intensamente a sua rede de contactos com Municípios portugueses.

“ESTÁ TUDO POR FAZER E DEVEMOS APRENDER COM A EXPERIÊNCIA DOS OUTROS”

Para Monteiro de Pina, o abandono a que Ribeira Grande de Santiago foi secularmente votado, se trouxe atrasos e pobreza, também evitou que tivessem sido cometidos erros difíceis de superar ou eventualmente constrangedores para o processo de desenvolvimento: “A Ribeira Grande de Santiago está virgem. Está tudo por fazer. Para já, devemos aprender com a experiência dos outros e evitar cometer erros”.

Para que ficasse evidente o muito que há por fazer, o autarca traçou a realidade existente: apenas 7 (sete) por cento das habitações, 60% das quais estão degradadas e a necessitar de recuperação. E traçou objectivos para o seu mandato: levar água aos domicílios, recuperar o parque habitacional, alargar a rede de distribuição de energia eléctrica, rasgar vias de acesso às localidades, criar as infra-estruturas que faltam ao município. E isto tem que ser feito num município onde o desemprego atinge índices elevadíssimos (neste momento procura-se dimensioná-lo correctamente, já que os números oficiais não passam de “piedosas mentiras que mascaram esta gravíssima realidade).

Manuel de Pina centrou o processo de desenvolvimento no turismo (estando em curso importantes investimentos), o qual arrastará consigo a agricultura, a pesca e a pecuária, fomentará o sector dos serviços. E apontou à criação de parques industriais, tendo como predominantes as actividades não poluentes. Se o turismo é a mola propulsora, o autarca definiu também as traves-mestras deste processo: a educação, a cultura, o património e a cooperação.

O vereador Carlos Alberto Lopes, que também interveio nos debates, apresentou um valor adicional neste processo: o “sentimento do orgulho”, que pode mobilizar vontades e potenciar energias – afinal o “município mais novo de Cabo Verde” é o mais antigo e o mais histórico (cinco séculos). O “orgulho de ser da Ribeira Grande” pode proporcionar a coragem para responder positivamente aos muitos desafios e a ousadia para fazer das fraquezas forças, tendo sempre presente que o factor humano é a grande riqueza a preservar.

E a questão do Património? “O principal património da Ribeira Grande, disse Manuel de Pina, são as pessoas. Perder isto de vista é perder o norte. Se as ‘pedras’, as ‘ruínas’ são importantes, porque são história e são cultura, as pessoas, as gentes, o povo são o património fundamental, que não pode, não deve ser sacrificado” – para Manuel de Pina isto é um axioma na sua política.

O autarca desembaraçou-se de algumas questões levantadas no período de perguntas e respostas, como sejam as relações com o Governo e o Instituto do Património: “há diferenças de pontos de vista, como é natural. Isso não é nenhuma tragédia. Apenas obriga a debate e à procura de entendimentos. A divergência é própria da democracia e dá-lhe força. Mesmo nos casamentos há diversidade de opiniões e isso, só por si, não obriga a divórcio. Procuramos entender-nos, sem disfarçarmos ou calarmos aquilo em que não estamos de acordo. E isso não é negativo, antes pelo contrário”.

O autarca recusou, no seu pronunciamento, qualquer crítica ao Governo, à Comissão Instaladora do Município e mesmo ao IIPC, apesar de algumas perguntas (e quase todos os presentes as fizeram) poderem abrir caminho a um processo de “passa-culpas”.

Algumas mensagens que ficaram: a Ribeira Grande de Santiago recusa a discriminação: todos são fundamentais e todos contam; espera dos que se encontram a estudar ou a frequentar cursos de formação o seu empenhamento na tarefa de construção do desenvolvimento – todos são necessários; tudo será feito para apoiar a formação de quadros e para a potencialização das suas capacidades. Tendo em conta que uma população de cerca de 10 mil habitantes tem, neste momento, nas universidades e escolas de formação profissional em Portugal uma centena dos seus jovens (trata-se de um índice elevadíssimo), na generalidade com aproveitamento positivo, as possibilidades que se abrem, sendo aproveitadas, auguram um bom futuro.

RIBEIRA GRANDE DE SANTIAGO VAI CRIAR FUNDO DE SOLIDARIEDADE PARA OS SEUS ESTUDANTES

Antes da conferência de Manuel Monteiro de Pina, os jovens da Ribeira Grande de Santiago – que tinham convivido num almoço com o presidente da Câmara na cantina universitária – estiveram em debate entre si. Liberal sabe que esse debate foi animado e que o autarca nele não participou para”não condicionar ou influenciar” a troca de opiniões que houve.
No fim da reunião com os estudantes, Manuel de Pina anunciou uma intenção da sua Câmara: é sabido que os estudantes enfrentam problemas de maior ou menor gravidade e que, por vezes, surgem dificuldades inusitadas para as quais não existem capacidades para achar solução. Nesse sentido, a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago dispõe-se a criar um Fundo de Solidariedade, a ser gerido em condições a estabelecer e com um regulamento a definir, para acudir a situações extremas que requeiram ajuda tempestiva.

Fonte: http://liberal.sapo.cv

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